hoje estou triste.
tenho uma grande dor no peito, estou nervosa, apetece-me chorar, as lágrimas não fazem por cair. parece que se aguentam nos meus olhos, parece que até elas têm medo de vir ver o mundo cá fora. está tudo negro à minha volta, parece que nada faz sentido, eu não quero que faça, mas.
mas nada, tenho de me tornar um ser que não olha a meio para atingir os fins, tenho de me tornar má, ser fria, ser... não, eu não posso, já fui calcada, já sorri quando queria chorar, já me fiz de tapada quando via tudo a olho nu, mas não me posso tornar em alguém que não gosto, alguém que não sou eu.
o pano caiu, esta sou eu, com todos os defeitos do mundo e mais alguns. Rita Pinto por excelência, ou por obrigação? não sei, falta-me o ego, falta-me a auto-estima, mesmo quando tenho meio mundo a dizer que sou linda, sei que metade deles não falar a sério, e a outra metade espera retribuição.
não tenho muitos amigos, conta-se pelos dedos de uma mão os verdadeiros, e sei que esses nunca me irão falhar. sou ainda muito nova mas já vi coisas que ninguém devia de ver, já sofri e ouvi coisas que ninguém devia de ouvir. já fui traída, já tive aquela dor nas costas, como se alguém nos tivesse dado uma facada sem dó nem piedade. mas mesmo assim, perdoei sempre, faz parte de mim, não guardo rancor a ninguém e defendo sempre com unhas e dentes aqueles que me magoaram. será defeito ou virtude? não sei isso também, parece que não sei muita coisa, e que tudo o que sei, foi-me ensinado. não, isso não. aprendi tudo sozinha, da forma mais difícil. sei quem me quer bem, sei quem me deseja mal. sei separar um 'amo-te' de um 'adoro-te' e sei ver quando é ou não sincero. sei isso tudo, mas no fim acabo sempre por voltar a cair na toca do lobo, enganam-me sempre, SEMPRE!
fico farta, deixo de confiar nas pessoas, pergunto-me se existe amizade, se existe amor. é tudo um mar de rosas até o deixar de ser. é tudo perfeito até abrirmos os olhos. fazemos tudo por amor, mas não somos retríbuidos.
no fim, tudo o que temos é um saco. e dentro desse saco temos sentimentos e objectos. temos saudade, um coração rachado ao meio, temos amor. no meu saco eu tenho um brincos, perdidos, um colar, que desfiz, uma pulseira, partida. os sentimentos? há muito que os deitei fora e o coração cozi-o com uma linha que não quebra. mais ninguém será capaz de me deitar abaixo, a parede que me segura é forte o suficiente para aguentar multidões, embora tu nunca tenhas sido isso, nem lá perto chegaste. foste o meu mundo, mas não um mundo. foste-me tudo, mas não um todo. foste um grande amor, mas não o da minha vida.
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